Algo para contar.
Hoje o dia passou numa lentidão tão rápida que ate estranhei um pouco, bom não costumo ficar observando o tempo passar, mas hoje o dia estava tão vazio, não o dia, mas eu estava vazia, sim vazia:
vaz - ia
Vá – ia.
Embora eu não estivesse pronta para ir a lugar nenhum, tive que sair dali, daquele lugar onde friamente eu sentia o calor das pessoas, não sei por que mas parecia tão impossível me aquecer ali. Enfim sai de lá. Cheguei a algum lugar, não me lembro muito bem onde eu estava, nem de onde sai, nem aonde eu cheguei, só sei que estava lá. Começou uma chuva fina, algo muito calmo, totalmente diferente do que está acontecendo aqui dentro, fiquei observando-a, aos poucos foi ficando intensa e cada vez mais agressiva, o vento forte invadia minhas narinas. Mas por incrível que pareça não estava com frio, talvez estivesse, mas o frio de dentro era maior e aquecia o frio externo. Você compreende? Aquele lugar, que não sei onde era me deixou um pouco anestesiada, quero dizer, não sei se foi o lugar ou se foi à chuva, ou se foi à dor que estava me corroendo por dentro a ponto de não deixar-me sentir mais nada. Sei lá, é meio confuso, mais acho que você consegue entender, ou não? Ah, essa dor que sinto aqui por dentro esta me dilacerando.
E embora doa muito, é a única coisa que me faz companhia, acho que já faz parte de mim não sei bem. Sei que voltei para casa, para meu quarto, para meu mundo, para minha cama. A chuva, essa passou. O vento, esse cessou sua fúria. A dor? Essa continua como se tivesse acabado de chegar. Dormiu.
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