Alguns bilhetes na geladeira. Cartas no criado mudo, esquecida pelos correios, e que nunca serão enviadas. Uma biblioteca, três dias de sono e um quarto pra arrumar. É uma bagunça, tudo distorcido.
3beijos da Isa ;*

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Carta para o seu amor.

Querido, amor.

Estou escrevendo mais uma carta, e desta vez é para você. Sim uma carta para você. Digo pra você por que, estou te lembrando enquanto escrevo. É estranho dizer que estou lembrando de você, essa palavra - lembrança- sai tão baixa, e vaga, não pelo seu contexto, pois, em seu conteúdo é cheia e grande, mas digo, em seu modo de colocação, só se lembra de coisas que vagamente se esquece mesmo que, por meros e vagos segundos de ar, e por mais que seja uma coisa incompreensível, ou talvez alguém até compreenda, eu não consigo esquecer você, e enquanto escrevo isso, significa que, não estou te esquecendo, já estou acostumada a isso, pois te esquecer é tão raro, que ate te esquecendo consigo me lembrar vagamente de você. Não, vagamente não. Mas, compulsivamente sim. Querido, talvez essa carta não chegue a suas belas mãos, mas saiba que ela existiu, e o seu pouco conteúdo talvez tenha sido tão ralo, e triste, e frio, e inútil, e vago. Gosto dessa palavra - vago - pois é exatamente como me defino agora, depois de ver você indo embora. Não penses que foi culpa sua, muito menos sinta compaixão por mim. Não é essa a reação que espero de você. Para ser sincera não espero nada mais de você, só estou mesmo lhe escrevendo para dizer que foi bom ter lhe conhecido, e convivido com você, que está tudo bem por aqui, e que às vezes penso em lhe procurar, mesmo que seja para ver-lhe o rosto de longe e turvo. Acho que, para acalmar meu coração que embora escuro, e apertado, e agora, mais que antes, frio, ainda bate compulsivamente ao ouvir seu nome ser pronunciado. Mas querido, não lhe quero de volta. Fui mais do que feliz o tempo em que passei contigo, e lhe agradeço todos os dias em meus pensamentos, porém, ter-te de volta em meus braços pernas, e olhos, haveria de ser outro suicídio, que, não pretendo, não posso, não devo, e não quero cometer contra meus lábios, olhos, pernas e meus pés. Acho que já basta à frieza que, ou ver você partindo acomodou-se em uma parte do meu coração, e sinto cada dia mais, que esta se alastrando ate tomar conta de todo o meu corpo, de todo o meu eu. Nada faço nada para deter-la, não há sentindo algum em deter uma coisa que talvez seja melhor deixar crescer aos poucos. Sinto que cada segundo que se passa, paro um pouco mais de sentir. Querido, amo-te e sempre amar-te-ei, mas, importância nenhuma isso há de ter agora. Adeus, e saiba que não espero uma resposta sua.

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